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#LeituraDaVez: os livros que falei na newsletter

  • Foto do escritor: Luiza Marques
    Luiza Marques
  • 16 de mai. de 2022
  • 8 min de leitura

Atualizado: 28 de out. de 2022

Na minha newsletter Quer conversar escrevo breves comentários de leituras feitas por mim a cada edição. Para deixar tudo juntinho e virar uma espécie de compilado de recomendações literárias, aqui estão as "leitura da vez" já escritas:


Uma Vida Pequena, de Hanya Yanagihara


nos últimos dias de 2021 terminei Uma Vida Pequena - depois de alguns meses indo e vindo com essa leitura. são quase 800 páginas de muita tristeza, companheirismo e cenas difíceis de encarar. o livro de Hanya Yanagihara acompanha algumas décadas das vidas de quatro amigos, e outras pessoas que vão aparecendo em cada fase de suas histórias.


fiquei algum tempo digerindo essa leitura e achei emocionante demais. por mais perturbadoras que algumas partes tenham sido, terminei a leitura como se quisesse acompanhar ainda mais as personagens e o que continuariam fazendo.


e relacionando com o texto principal dessa edição, Uma Vida Pequena também fala muito sobre amor: até que ponto cada um iria por uma relação, por amar alguém? às vezes escolher alguém como parceiro pode ter uma bagagem bem complicada de lidar.


As inseparáveis, de Simone de Beauvoir


peço licença para aproveitar esse espaço e comentar leituras já passadas, mas que valem a indicação. é assim com “As inseparáveis”, de Simone de Beauvoir: um romance que você pode ler em um final de semana e conhecer histórias da juventude da autora junto com sua grande amiga Zaza. achei que tem um quê de Amiga Genial, de Ferrante, e vemos o poder, a influência e o amor que podem existir numa amizade entre duas jovens mulheres, além de ser um relacionamento comovente e trágico.


Bobagens Imperdíveis para atravessar o isolamento: Crônicas fantásticas, de Aline Valek


talvez você já tenha visto algo da Aline Valek por aí: seu podcast, sua newsletter, seu twitter ou até mesmo seus livros, como esse que li recentemente. Bobagens Imperdíveis para atravessar o isolamento: Crônicas fantásticas é do tipo de livro que é possível ler em um dia ou em um final de semana, tanto por ser curto quanto por ser uma escrita tão gostosa que fica difícil de largar.

falar de isolamento por causa da pandemia já não faz mais tanto sentido, mas foi nessa época incerta de dias em casa que comprei o ebook da Aline, apesar de ter lido só mês passado (e nem sei porquê demorei tanto para fazer isso). a coletânea é ótima, as ideias e jeitos da autora se expressar são ainda melhores. recomento! e já quero ler os outros livros dela.


O ano do pensamento mágico, de Joan Didion


Quando vivemos uma grande perda, os livros e textos que falam sobre luto passam a fazer sentido. E foi isso o que senti lendo O ano do pensamento mágico, da Joan Didion. Esse livro foi o primeiro que li da autora e pareceu que eu estava conversando com alguém próxima, alguém que já conhecia há anos.


Me identifiquei em muitos dos comentários dela sobre luto, sobre continuar existindo sem a outra pessoa e sobre como tudo muda tão rápido [essa é uma ideia que ainda me assombra]. Em algumas partes a descrição dos dias no hospital esperando notícias era tão nítida que precisei pausar e retomar o fôlego. Não é à toa que Didion foi vista como uma grande escritora, e continua assim mesmoa após a sua morte.


Contra a interpretação e outros ensaios, de Susan Sontag


Anteriormente eu já tinha lido outras duas obras da Susan Sontag [Diários: (1947-1963) e Entrevista completa para a revista Rolling Stone] e com isso estava com bastante expectativa para ler os seus ensaios em Contra a interpreção. Mas admito que foi uma leitura bem mais difícil de engatar do que eu imaginava. Bem mais cabeça do que eu esperava, sabe? Foi uma leitura que empaquei de novo e de novo até conseguir, enfim, terminar uns dias atrás. Talvez tenha sido o meu timing que não casou com o que ela dizia em seus textos.


De qualquer forma admiro muito a bagagem que ela tinha para falar sobre assuntos diversos e fazer críticas literárias, de filmes, peças e etc, assim como as tantas referências que ela acrescentava em cada ensaio. Alguns ensaios me identifiquei mais, como os últimos, e outros eu nem fazia ideia do que ela estava comentando.


Talvez um dia eu pegue para ler de novo só para tentar ver com uma outra perspectiva.


Um cavalheiro em Moscou, de Amor Towles


Quem me indicou “Um cavalheiro em Moscou” foi o meu namorado e eu não imaginava que seria uma história tão gostosinha de ler. O livro escrito por Amor Towles é leve ao mesmo tempo em que descreve momentos históricos da Rússia, além das diferenças entre a tradição e os novos costumes.


Conhecemos o Conde e seu grupo de amigos (os funcionários e alguns moradores do hotel Metropol), sendo personagens bem desenvolvidas. Achei os diálogos bem escritos e muito envolventes. Vale como uma leitura para descontrair, mas sem perder as características de um romance histórico.


Escrever, de Marguerite Duras


Fui atrás de ler Escrever, de Marguerite Duras, depois de ficar sabendo sobre em uma das edições da newsletter da Ana Holanda em que ela comentava sobre alguns trechos desse livro.


Sou bastante interessada em saber sobre os hábitos de escrita de importantes autores, seus processos criativos e o que pensam sobre escrever. E nesse ponto, os ensaios de Duras não decepcionaram: principalmente o primeiro, chamado “Escrever”, em que ela relata como essa prática pode ser tão solitária. Nos demais, ela fala sobre a escrita e a arte de diferentes maneiras.


Gostei de ver as reflexões de uma autora que ficou tão marcada em sua época e depois. Esse é um livro relativamente curto (tem 148 páginas) e a edição publicada pela Editora Relicário está lindinha.


A idiota, de Elif Batuman

Não é uma leitura tão recente assim, mas A idiota, de Elif Batuman, vale a recomendação aqui. Como protagonista temos a Selin, uma garota engraçada e relativamente comum, mas também bastante insegura em algumas situações (quem nunca, rs).


O ano é 1995 e ela está descobrindo o e-mail enquanto começa a faculdade em Harvard, o que deixa essa leitura seja ainda mais interessante por mostrar as suas aulas, rotina na faculdade e afins.


Selin faz várias viagens de intercâmbio e é muito envolvente ler essas partes do livro, e vê-la descobrindo outros países, outras culturas e os relacionamentos. Eu que não esperava tanto assim dessa história, fui positivamente surpreendida e adorei - nem queria que o livro acabasse!


Correspondentes: Bastidores, histórias e aventuras de jornalistas brasileiros pelo mundo

Sou formada em Jornalismo, mas desde quando passei a trabalhar com Marketing, não pratico mais as habilidades de repórter. Ler Correspondentes: Bastidores, histórias e aventuras de jornalistas brasileiros pelo mundo fez com que eu voltasse a ter uma ligação com as hard news e com o lado mais tradicional da profissão.


Esse livro reúne vários jornalistas que foram grandes correspondentes internacionais da Rede Globo, principalmente nos anos 1980-1990 [com algumas histórias de antes disso e outras mais recentes], e que fizeram a cobertura de momentos históricos, como conflitos no Oriente Médio, o Onze de Setembro, a queda do Muro de Berlim e por aí vai.


Em cada capítulo é um repórter, sendo que muitos estavam no começo da carreira. Então, são histórias contadas por aqueles caras, e algumas poucas mulheres (infelizmente), que marcaram a minha infância e começo da adolescência que sempre apareciam na TV ao mostrarem acontecimentos em outras partes do mundo, como Pedro Bial, Ilze Scamparini, Ernesto Paglia, Sônia Bridi, Caco Barcellos e outros.


Apesar de ser um livro da Globo, é bem legal saber como esses profissionais que admiro atuaram em cada cobertura, os bastidores e outros detalhes que nem imaginamos. Deu um quentinho no coração por ter escolhido no Jornalismo, apesar de não praticar mais tão diretamente.


Talvez você deva conversar com alguém, da Lori Gottlieb

Ainda conversando sobre terapia, eu não poderia deixar de indicar Talvez você deva conversar com alguém, da Lori Gottlieb. Terminei essa leitura bem na virada do ano e estava apegada na forma da autora de falar sobre terapia e tudo o que faz parte disso, e isso porque quando comecei o livro achava que devia estar sendo superestimado ou ser uma coisa meio de autoajuda — e não é nada disso!


São capítulos muito bem escritos e que alternam entre a vida dos pacientes de Lori e as suas próprias sessões com seu terapeuta, já que ela volta a se consultar como paciente por ter passado por um período complicado em sua vida pessoal.


Tem humor, reflexões sobre a vida, insights sobre o processo de fazer terapia, umas coisas mais tristes e histórias emocionantes. Quando estava lendo, e principalmente depois de terminar, eu não parava de comentar sobre esse livro com as minhas amigas. Então não poderia deixar de trazer pra cá. É realmente muito bom!


Ouça a Canção do Vento / Pinball, 1973, de Haruki Murakami


Sou muito fã do Murakami, mas Ouça a Canção do Vento / Pinball, 1973 passou longe de ser um dos livros dele que eu li e gostei. Achei uma história arrastada, com momentos desconexos e aleatórios. Mas é preciso dar um desconto porque foi sua primeira obra (é o que ele conta no prefácio). E até tem algumas boas reflexões em um capítulo ou outro.


Por fim, penso que se você nunca leu nada do Murakami, não é uma boa ideia começar por esse título porque pode ser um primeiro contato meio ruim com o autor (na minha opinião, rs).


Herdeiras do mar, de Mary Lynn Bracht

Começo dizendo que: todas as altas expectativas que eu criei antes de ler Herdeiras do mar, de Mary Lynn Bracht, foram alcançadas com sucesso. Que livro! É uma história angustiante, forte, de sobrevivência e com partes bem doloridas, principalmente para as mulheres.


A cada capítulo ia ficando mais difícil de resistir ao impulso de ler tudo de uma vez de tão presa que eu estava na narrativa sobre as irmãs coreanas haenyeo Hana e Emi, mulheres que lutaram para continuarem vivas ao longo de guerras e perdas. Faltam palavras para descrever essa leitura tão emocionante e se eu falar mais, talvez acabem saindo uns spoilers. Leiam!!!


Lili, de Noemi Jaffe

Continuando na temática de luto, é um fato que cada pessoa tem seu próprio jeito de lidar com uma perda. Em Lili, de Noemi Jaffe, isso fica ainda mais evidente. A autora relata como está sendo seguir vivendo depois de sua mãe falecer, misturando memórias da infância, de quem a mãe foi (uma sobrevivente de campos de concentração) com lindas passagens sobre o luto em si, e todo esse processo de enfrentar a ausência do outro. Me emocionei bastante, principalmente no começo, quando ela descrevia muitas das coisas que senti [e sinto] numa situação dolorida como essa. Para quem está precisando de afeto ao perder alguém, esse curto livro é uma boa pedida.


Não aguento mais não aguentar mais, de Anne Helen Petersen

Caso você se identifique como millennial, provavelmente já ouviu falar bastante sobre burnout. Pois bem, em Não aguento mais não aguentar mais, de Anne Helen Petersen, os capítulos vão dando vários tapas na cara dessa geração que parece ser viciada em trabalho, mas por culpa de todo um sistema quebrado que não entregou nada do que foi prometido com a ideia de “estude bastante, faça faculdade que uma vida boa e estável virá”.


Ela foca bastante na cultura norte-americana e nas crises econômicas deles, mas é algo compreensível. Ao longo de todo o livro, Anne apresenta entrevistas, análises, revisão de literatura, dados sobre recessões e outras informações que mostram o buraco a situação em que estamos. Os meus capítulos favoritos foram os sobre tecnologia (focando em redes sociais) e final de semana.


Para quem quer ter uma visão desse caos todo, indico bastante.


Bonequinha de Luxo, de Truman Capote

Fazia um tempo considerável que Bonequinha de Luxo, de Truman Capote, estava parado na biblioteca ainda não lida do Kindle. Sou apaixonada pelo filme e sempre tive curiosidade para ler as palavras exatas da história, as quais foram escritas por esse autor genial [A Sangue Frio de Capote é incrível]. Foi impossível não ficar imaginando a Audrey Hepburn em cada cena.


De modo geral eu gostei, é uma leitura leve e rápida. Mas preciso admitir que, pela primeira vez, o filme tem uma graça a mais e algumas diferenças entre o livro e adaptação são gritantes.


Um dia ainda vamos rir de tudo isso, de Ruth Manus

Não é exatamente uma leitura recente, mas eu não posso deixar de indicar um livro que adoro: Um dia ainda vamos rir de tudo isso, da advogada e cronista Ruth Manus. Acho que ela tem uma genialidade incrível e isso fica claro nas crônicas reunidas nesse livro, as quais têm temas como histórias de sua infância e adolescência, situações do trabalho em direito, a vida Portugal e outras.


Indico essa leitura para quem está de ressaca literária ou quer criar o hábito de ler porque são textos tão gostosos que fica difícil não se apegar na escrita de Ruth, em sua sagacidade e humor.



 
 
 

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© 2022 Luiza T. Marques

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